Viver nos centros urbanos ou cosmopolitas. Um frenesim de cultura, actividades, convívios. Um frenesim que dura 24h, 7 dias sobre 7. Não se para. Não se pode parar, em detrimento de se poder perder algum acontecimento mais cor de rosa ou azul.

Se sou contra? Nem por sombras! 😊 Se não fossem as cidades, centros de desenvolvimento, o que seriam dos países só com ruralidade?

A minha questão, são os primeiros sinais dos tempos, nos centros urbanos.

Escassez de alimentos, escassez de história, escassez de sobrevivência. Quando os produtos deixam de chegar a cidade, a fome é a primeira a imperar. Como é a reacção dos citadinos a isso? Não tem por onde se virar. Não porque não poderiam se virar, mas porque já não possuem o conhecimento de outrora de como os alimentos são produzidos.

Em outras alturas de crises, bem menos grave do que aquela que já estamos a enfrentar, os animais mais “selvagens” citadinos, começavam a desaparecer. Os pombos e os patos, então, eram uma razia.

Antecipar para precaver os efeitos, têm de ser hoje a notícia, a informação, os “workshops”. Se os cidadãos urbanos sequer, se preocupam? Nem por isso. Mas não queira dizer que não existam acções de sensibilização por parte das autarquias, das entidades responsáveis, das misericórdias e todas as que apoiam os bancos alimentares. Não será melhor dar a cana de pesca do que o peixe?

Quais as primeiras actividades a cair? As Artes, teatro, cinema, espetáculos? Actividades desportivas, ginásios, PT, dança? Turismo? Restauração? Estéticas e bem-estar?

Quantas profissões vão decair e quantas novas vão surgir! É tempo de um debate esclarecedor, informado, consciente, e sobretudo, com visão a longo prazo.

Formar é imperativo! As cidades precisam de se renovar! Precisam de antecipar, prever e agir conforme.

Não falo apenas da base alimentar, mas também de saúde, tecnologia, de investigação. Falo também de discussão pública sobre opções, caminhos, e escolhas pessoais e colectivas.

A nossa sociedade neste momento parece um sapo em água de lume brando. Vai aquecendo sem dar conta, até ao derradeiro momento de morrer.

Urge as alterações antes da decadência inevitável.

As doenças mentais, invisíveis aos olhos, já fazem parte do quotidiano. Nem nos apercebemos da quantidade de pessoas que nos rodeiam sofrendo. Os burn out, os esgotamentos, os cansaços, a desmotivação, a falta de objectivos, as desilusões, as frustrações. Estamos inconscientemente a moldar as nossas crianças e jovens nestes novos padrões mentais e comportamentais. As cidades zumbies que tanto nos divertem nos filmes, um prenúncio do que estará para vir?

Questiono se sou apenas eu observando este mundo em mudança? Questiono os que também a observam o que fazem para alterar? Só, não se consegue grande coisa, mas muitos, será que fará a diferença? Conseguiremos contagiar a maioria? Ou nem por isso?

Fica a dúvida, a tristeza, e, ao mesmo tempo, uma pontinha de esperança nesta mudança!